Dívidas

Como sair das dívidas em 12 meses: o método passo a passo que funciona

Por Fernanda Lira12 de junho de 2025Atualizado em jun 2025
Patrimônio crescendo enquanto dívidas diminuem

Evolução do patrimônio líquido ao longo do plano de saída das dívidas. Ilustração: Nova Etapa

Mais de 68% dos brasileiros têm alguma dívida em atraso. Para muitos, a sensação é de estar num buraco que só fica mais fundo. Os juros se acumulam, a renda não aumenta na mesma proporção, e a saída parece impossível.

Mas sair das dívidas é possível — e mais rápido do que a maioria das pessoas imagina. O que falta, na maioria dos casos, não é renda: é método.

Aviso importante

Este artigo é educacional e não substitui aconselhamento financeiro profissional. Cada situação é única. Se suas dívidas são muito grandes em relação à sua renda, considere buscar orientação de um planejador financeiro ou do serviço gratuito do PROCON.

Passo 1: Faça o diagnóstico completo

Antes de qualquer coisa, você precisa saber exatamente quanto deve, para quem, a que taxa de juros e com qual prazo. Parece óbvio, mas a maioria das pessoas não tem essa clareza. O desconhecimento é paralisante — quando você sabe exatamente o tamanho do problema, ele se torna gerenciável.

Liste todas as suas dívidas em uma planilha: credor, saldo devedor, taxa de juros mensal, parcela mínima e prazo. Some tudo. Esse é o seu ponto de partida.

Passo 2: Corte gastos não essenciais imediatamente

Enquanto você tem dívidas com juros altos — especialmente cartão de crédito rotativo (que pode chegar a 400% ao ano) — qualquer gasto não essencial é um erro financeiro. Assinaturas que você não usa, refeições fora de casa que podem ser substituídas, compras por impulso: tudo isso precisa parar temporariamente.

Não estamos falando de privação permanente. Estamos falando de um período de foco intenso — 6 a 12 meses — para resolver o problema de uma vez.

"A disciplina financeira não é sobre ser miserável. É sobre adiar gratificações menores para alcançar uma liberdade maior. Quem entende isso muda sua relação com o dinheiro para sempre."
— Fernanda Lira, Nova Etapa

Passo 3: Escolha o método de quitação

Existem dois métodos principais para quitar dívidas: o método avalanche e o método bola de neve. No método avalanche, você paga primeiro as dívidas com maiores juros — matematicamente mais eficiente. No método bola de neve, você paga primeiro as menores dívidas — psicologicamente mais motivador.

Para dívidas com juros muito diferentes (cartão de crédito vs. financiamento imobiliário, por exemplo), o método avalanche economiza mais dinheiro. Para quem precisa de motivação para continuar, o método bola de neve pode ser mais eficaz na prática.

Passo 4: Negocie

Muitas pessoas não sabem que é possível negociar dívidas — especialmente as mais antigas. Credores preferem receber parte do valor a não receber nada. O Serasa Limpa Nome e o Desenrola Brasil são programas que oferecem descontos significativos para quitação de dívidas.

Antes de pagar qualquer dívida, verifique se ela não está prescrita (após 5 anos, dívidas prescrevem e não podem mais ser cobradas judicialmente) e se não há oportunidade de negociação com desconto.

Passo 5: Construa a reserva enquanto quita

Parece contraditório, mas é importante guardar uma pequena reserva de emergência (R$ 1.000 a R$ 2.000) mesmo enquanto quita dívidas. Sem reserva, qualquer imprevisto — um conserto de carro, uma consulta médica — vai para o cartão de crédito, criando novas dívidas.

Com método, disciplina e as ferramentas certas, 12 meses é um prazo realista para a maioria das pessoas sair de dívidas de consumo. O primeiro passo é o mais difícil — e você já deu ao ler até aqui.

Editora
Fernanda Lira
Economista e jornalista financeira. Mestre em economia pela FGV. Especialista em finanças pessoais e planejamento financeiro.